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George W. Bush, candidato imbatível para o Nobel da Paz


Uma pesquisa do Boston Globo nos mostra que os cidadãos que acreditavam no “sonho americano”, ou seja, que a superpotência pode garantir aos seus cidadãos um futuro excepcional, agora são apenas 32% de quase 60% antes da chegada de Bush. [...]  Depois do 11 de Setembro, todo o mundo se alinhou atrás do Comandante em Chefe de uma nação agredida. Hoje, as mesmas pesquisas dizem que uma parte importante da população mundial considera os Estados Unidos como o perigo mais sério para a paz internacional.


Robeto Sávio

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Roma, julho/2008 – Com a provável chegada de Barack Obama à Casa Branca, George W. Bush se converteu em um pato coxo, muito mais que outros presidentes próximos do fim de seus mandatos. A incomum alta participação nas eleições primárias evidenciou o afã dos norte-americanos de se livrarem de uma administração que é considerada a pior da história dos Estados Unidos.

Mas, se julgarmos a Presidência Bush objetivamente, isto é, pelos resultados, creio que chegou o momento de os amantes da paz e da cooperação internacional nos unirmos para conceder-lhe o merecido reconhecimento formal como o presidente norte-americano que mais fez para criar um mundo democrático, mais justo e no qual as velhas teorias sobre a força militar e o destino manifesto da superpotência estão profundamente em crise.

A primeira contribuição fundamental de Bush é a de demonstrar que o unilateralismo já não pode funcionar em um mundo cada vez mais multipolar. As previsões sobre a decadência norte-americana podem ser discutíveis, mas é indiscutível o peso crescente de países como Brasil, China e Índia. A política de Bush levou Washington a um maior isolamento, não a uma maior liderança. É simbólico que no começo de seu primeiro mandato as Nações Unidas estivessem em crise e o sistema Bretton Woods (Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial) em posição dominante, enquanto no final de seu segundo governo o quadro aparece invertido.

Outra grande contribuição de Bush foi desmentir a teoria de que a guerra soluciona os conflitos. Que esta potência que gasta em armamentos tanto quanto os 14 países que a seguem esteja presa em um pântano, junto com seus aliados, nas duas guerras que empreendeu, apesar de seu vice-presidente Cheney ameaçar atacar todos os “Estados canalhas”, entre os quais Irã e Coréia do Norte, demonstra que é fácil destruir, enquanto é difícil ganhar uma guerra. O Iraque vai durar mais tempo na memória norte-americana do que o Vietnã.

A terceira contribuição é provar que sem respeito ao direito internacional não há consenso para a governabilidade. Não ter ratificado nenhum tratado internacional (começado por Kyoto), provocou uma irritação crescente, e em conseqüência o tratado contra as bombas de fragmentação foi ratificado por quase todos os países do mundo. E as práticas em Guantânamo e Abu Ghraib, o traslado de prisioneiros a países torturadores, declarar superada a Convenção de Genebra e legitimada a tortura em caso de guerra, e outras iniciativas semelhantes, isolaram os Estados Unidos e o destronaram como campeão da democracia e dos direitos humanos.

A quarta contribuição pode parecer menos importante, já menos importante, já que é apenas interna. A presidência norte-americana, que havia reivindicado faculdades extraordinárias sobre os poderes legislativo e judicial, agora enfrenta um clamor geral para que seja restabelecido o equilíbrio dos poderes constitucionais, base primária da democracia.

A quinta contribuição, pelo contrário, tem um valor universal. Bush provou que não se pode mentir e sustentar a impunidade do poder, quando hoje a cidadania quer, com mais convicção que nunca, que os governos sejam responsáveis e prestem contas aos seus eleitores. O trecho final do governo Bush mostra numerosos ex-funcionários da Casa Branca que através de livros, artigos e entrevistas, informam que a administração mentiu à opinião pública repetidas vezes – não apenas sobre o Iraque – e a manipulou deliberadamente. Após a retirada do poder, a prestação de contas de Bush e Cheney será ainda mais explosiva.

A sexta contribuição, seguramente a mais importante, é que graças a Bush os Estados Unidos perderam de maneira substancial seu direito de se considerar um país com um “destino manifesto”. Uma pesquisa do Boston Globo nos mostra que os cidadãos que acreditavam no “sonho americano”, ou seja, que a superpotência pode garantir aos seus cidadãos um futuro excepcional, agora são apenas 32% de quase 60% antes da chegada de Bush. A queda do dólar simboliza o profundo declínio dos Estados Unidos como nação imperial e guia do mundo. Nunca, segundo as pesquisas, esse país perdeu tanto prestigio. Depois do 11 de Setembro, todo o mundo se alinhou atrás do Comandante em Chefe de uma nação agredida. Hoje, as mesmas pesquisas dizem que uma parte importante da população mundial considera os Estados Unidos como o perigo mais sério para a paz internacional.

Por tudo isto, afirmo que Bush é um político excepcional, que em apenas oito anos conseguiu mudar profundamente seu país e o mundo. Duvido que com um presidente como Obama tivesse se formado uma oposição tão enorme quanto a do Fórum Social Mundial de Porto Alegre. A reação de centenas de milhares de pessoas que clamam contra o imperialismo e por um mundo diferente é o resultado da radicalização produzida nesse período. Sem ela, a formação de uma sociedade civil global certamente teria sido mais lenta. Por tudo isto, proponho – e solicito o apoio universal – que o próximo Prêmio Nobel da Paz seja concedido a George W. Bush.



01.07.2008

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Robeto Sávio
, fundador e presidente emérito da IPS.


Fonte: envolverde.ig.com.br


18xphoto wrote on Jul 1, '08
Me tira o tubo !!!!!!!!!!!!!!!
rmae wrote on Jul 1, '08
Putzzzzzz.........!
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